Oídio: doença que tem afetado as lavouras de pimentão no país

Doença tem crescido no Brasil tanto em campo aberto, quanto em cultivo protegido, tornando-se um grande problema para produtores de pimentão em todo o país

Figura 1: Sintomas de clorose foliar em folhas de pimentão infectadas por Leveillula taurica.
Figura 1: Sintomas de clorose foliar em folhas de pimentão infectadas por Leveillula taurica.

Um dos grandes desafios na produção de pimentão no Brasil certamente é Leveillula taurica ou Oidiopsis taurica, doença conhecida popularmente como míldio pulverulento ou oídio. Até meados da década de 90, a doença era pouco expressiva, mas nos últimos anos se disseminou e tornou-se preocupante devido a algumas mudanças significativas no cenário agrícola. Dentre as quais estão: aumento do cultivo protegido; aumento de áreas com irrigação por gotejamento; aumento do cultivo de hortaliças em campo aberto, em regiões com períodos secos e ausência de precipitação (como as regiões Nordeste e Centro-Oeste); e alterações climáticas extremas que assolam o planeta de forma geral (redução de chuvas e aumento das temperaturas).

Figura 2: Planta de pimentão infectada por Leveillula taurica exibindo esporulações do fungo na face inferior da folha.
Figura 2: Planta de pimentão infectada por Leveillula taurica exibindo esporulações do fungo na face inferior da folha.

De acordo com Ricardo Giória, Coordenador de Patologia da Sakata, isto ocorre nas situações apontadas porque o fungo é favorecido por temperaturas entre 10°C e 35°C e umidade relativa entre 85% e 95%, sem a presença de água livre nas folhas. “Atualmente o Oidiopsis tem sido de grande impacto na produção em cultivo protegido. Já em campo aberto, tem aumentado sua importância principalmente em função dos grandes períodos de seca e da crescente substituição da irrigação de aspersão por gotejo”, salienta.

Figura 3: As folhas ilustram híbridos diferentes de pimentão sob a mesma pressão de inóculo de Leveillula taurica. Esquerda: folha moderadamente resistente, exibindo pontuações que indicam tentativas de colonização do patógeno na face inferior da folha. Direita: folha suscetível, exibindo esporulação do fungo na face inferior da folha.
Figura 3: As folhas ilustram híbridos diferentes de pimentão sob a mesma pressão de inóculo de Leveillula taurica. Esquerda: folha moderadamente resistente, exibindo pontuações que indicam tentativas de colonização do patógeno na face inferior da folha. Direita: folha suscetível, exibindo esporulação do fungo na face inferior da folha.

Ele detalha ainda que “o fungo coloniza principalmente as folhas mais velhas, sendo inicialmente observadas lesões cloróticas na superfície das folhas (Figura 1). Sob condições favoráveis, estas lesões se tornam necróticas, apresentando em sua face inferior estruturas esbranquiçadas que são as esporulações do fungo (Figura 2). E em altas infestações observam-se desfolha e redução na produção”.

Vale ressaltar que alguns híbridos de pimentão disponíveis comercialmente e desenvolvidos pela pesquisa da Sakata já apresentam nível de resistência e atendem às exigências da maioria dos mercados. “Os híbridos moderadamente resistentes, sob condições normais de pressão do patógeno, quando comparados aos suscetíveis, praticamente não apresentam desfolha, apresentam menor porcentagem de folhas amareladas e pouca ou nenhuma esporulação do fungo. Sob altas infestações observam-se apenas pontuações que representam tentativas de colonização do patógeno (Figura 3)”, explica o especialista.

Sob condições de cultivo protegido, a utilização de híbridos de pimentão moderadamente resistentes a Oidiopsis, como os pimentões tipo Retangular Taurus (vermelho); Camaro e Patroni (amarelo), possibilitam menor número de aplicações de defensivos, proporcionando redução de custos, riscos para a saúde e de impactos ambientais. “Por isso, o produtor deve estar atento às opções de produtos que agregam tecnologia e valor à produção, como os oferecidos pela Sakata”, conclui Giória.

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